Provas de natação em rio

Do Paraná ao Tâmisa, do Danúbio no inverno ao Sena reaberto: onde, como e quando se nada em prova nos rios do mundo, com todas as provas em rio do calendário.

Atualizado a 29 de setembro de 2026

Em resumo

No nosso calendário há 169 provas de natação em rio, em 38 países. O rio com mais provas é o Paraná, na Argentina, onde se nada a Santa Fe–Coronda, cerca de 57 km. As provas mais antigas com primeira edição documentada são a Liffey Swim de Dublin, desde 1920, e a Dee Mile de Chester, desde 1922. A maior parte nada-se entre junho e setembro. Em Paris o Sena voltou a ser próprio para banhos a 5 de julho de 2025, depois de um século de proibição.

provas neste guia
169
países
38
Provas por mês
6jan.
7fev.
2mar.
4abr.
6mai.
14jun.
35jul.
52ago.
22set.
3out.
7nov.
2dez.

Nadar com a corrente

Num rio a corrente faz metade da prova. Na Dee Mile de Chester nada-se uma milha e um quarto sempre a favor da corrente, e conforme a água que o Dee leva os tempos dos vencedores foram de 19'48" a 33'25". Em Dresden o Elba corre em média a 1,1 m/s: quem desce o Elbeschwimmen sente-o desde o primeiro metro.

Por isso as provas em rio têm formatos diferentes das de lago ou de mar. O mais comum é a descida, de um ponto a montante a outro a jusante: a Thames Marathon, 13 km de Henley a Marlow com abastecimentos nas eclusas, o Swim the Suck no desfiladeiro do Tennessee, a UltraEbre. Há a ida e volta, que obriga a nadar também contra a corrente: na Three Rivers Marathon Swim de Pittsburgh fazem-se 5 km com a corrente e 5 contra em cada um dos três rios da cidade, o Ohio, o Monongahela e o Allegheny, num total de 30 km. E há a travessia de uma margem à outra, como em Wuhan, no Yangtzé.

Perto da foz o rio torna-se estuário e quem manda é a maré. No Hudson, que é um estuário até Troy, a 8 Bridges faz partir cada etapa com a maré vazante; no Tay, em Dundee, o clube YeAABA, fundado em 1884, nada as suas provas de campeonato sem fato isotérmico, e a Kirkton of Balmerino leva os nadadores até Broughty Ferry ao longo de 8 milhas com a maré.

As maratonas dos grandes rios

A Santa Fe–Coronda foi nadada pela primeira vez a 22 de janeiro de 1961, com o nome de Maratón Náutica del Litoral Argentino: partiram oito nadadores e venceu Carlos Larriera, em oito horas. O percurso desce o Río Santa Fe até Cuatro Bocas e depois o Río Coronda, no sistema do Paraná, durante cerca de 57 km; a distância varia com o percurso e, em 2026, a imprensa local contabilizou 59,5 km. Nesse ano, venceu o italiano Alessio Occhipinti, em 8h42'59". Para quem não é profissional, existe uma versão de 48 km, da Costanera Este de Santa Fé ao balneário de Coronda, que se nada em datas diferentes e sem classificação.

Nos Estados Unidos, a 8 Bridges desce o Hudson em sete etapas e sete dias, 120 milhas do Rip Van Winkle Bridge ao Verrazzano-Narrows: cada etapa parte de uma ponte e chega à seguinte. Na Rússia, a Samara 181 contorna a curva do Volga sob os montes Žiguli em cinco etapas, de 10,5 a 42 km, a solo, em dupla ou em estafeta.

Na Europa, três maratonas fluviais fazem parte da mesma série, a Marathon River Swim Series: Le Flow des Gabarriers, 33 km no rio Charente de Châteauneuf a Cognac; a UltraEbre, 31 km no Ebro, nascida em 2012, a solo ou em dupla com um caiaque de apoio; e o GlommaDyppen na Noruega, onde a água do rio Glomma pode baixar em poucos dias de 17-18 °C para cerca de 10 °C.

Um século de provas na cidade

Em Dublin a Liffey Swim nada-se desde 1920. O percurso histórico ia de Victoria Quay a Butt Bridge, milha e meia em pleno centro, e em 1923 Jack B. Yeats fez dela um quadro, «The Liffey Swim», que no ano seguinte ganhou a medalha de prata no concurso de arte dos Jogos Olímpicos de Paris. Em Chester a Dee Mile é de 1922: o primeiro campeão, Vic Beaman, viria a ser capitão da seleção britânica de polo aquático nos Jogos de Amesterdão de 1928. As mulheres são admitidas desde 1969, e para o título de campeão é preciso morar a menos de cinco milhas da Cross de Chester.

Em Wuhan compete-se na travessia do Yangtzé desde 1934, quando partiram 44 nadadores para 5 km; hoje nadam-se 1,8 km. A 16 de julho de 1966 Mao Zedong, aos 73 anos, entrou no rio à frente de cerca de 5.000 nadadores: a imprensa do partido anunciou uma velocidade impossível, e o nado ficou como um ato político mais do que desportivo.

Em Zurique o Limmatschwimmen nasceu em 1945 pela mão de dois sócios do Schwimmclub Zürileu. Parou e recomeçou várias vezes, a última de 1978 a 1985, e hoje leva 4.500 pessoas ao longo de 2 km do Limmat, do Frauenbad aos banhos fluviais do Letten: a 15 de agosto de 2026 nadou-se a sexagésima edição. Na Suécia a Vansbrosimningen começou em 1950, quando dois habitantes de Vansbro decidiram nadar sob as seis pontes da terra: partiram dez e chegaram nove. Desde 1971 faz parte da En Svensk Klassiker.

As cidades voltam aos seus rios

Em Paris tomar banho no Sena era proibido desde 1923. A 5 de julho de 2025, depois de uma despoluição que custou cerca de 1,4 mil milhões de euros, abriram três zonas balneares, uma no Bras de Grenelle, perto da Torre Eiffel; em regra fecham no dia seguinte a uma chuvada, porque os esgotos transbordam para o rio. Em agosto de 2026 nadaram-se no Bras de Grenelle as provas de águas abertas dos campeonatos da Europa, e no mesmo troço, entre a ponte de Bir-Hakeim e a de Rouelle, nada-se o EDF Aqua Challenge. O Open Swim de Paris atravessa a cidade ao longo de 8,5 km, entre o Sena e o Canal de l'Ourcq.

Em Chicago, a 21 de setembro de 2025, 263 pessoas nadaram no Chicago River: foi o primeiro nado organizado no rio em quase um século, e a água tinha sido analisada nove vezes nos dezanove dias anteriores. A edição de 2026 foi cancelada na própria manhã por causa das condições do rio. Em Berlim uma associação trabalha para tornar próprios para banhos os 1,8 km do Spreekanal à volta da Ilha dos Museus.

Nem todas as provas em rio nas cidades são competições. Na Alemanha, no Reno em Colónia e no Elba em Dresden, nada-se em conjunto, sem classificação: o Rheinschwimmen é um nado do clube para sócios e convidados, o Elbeschwimmen é gratuito e sem inscrição obrigatória. Também o King of the Thames, de Hampton Court a Kingston, se declara não competitivo.

Cheias, chuva e água fria

Um rio muda de um dia para o outro, e as provas contam com isso. Em 2005 o Limmatschwimmen foi cancelado pela primeira vez: o Limmat levava 295 m³ de água por segundo. O Swim the Suck depende da água que a barragem de Chickamauga, a montante, deixa passar: ao longo dos anos nadou-se com um caudal entre zero e 33.000 pés cúbicos por segundo, e a edição de 2024 não se realizou por causa da cheia.

No nosso calendário a época dos rios é o verão: a maior parte das provas cai entre junho e setembro, com o pico em agosto. No hemisfério sul nada-se entre novembro e fevereiro, no Paraná e na Austrália. E depois há o inverno: o Donauschwimmen de Neuburg desce o Danúbio ao longo de cerca de 4 km no último sábado de janeiro. Começaram oito em 1970; em 2010 a água estava a 2,1 °C e entraram na água quase 1.700 pessoas.

As provas a conhecer

O Paraná e o Uruguai

A bacia com mais provas: San Pedro, Santa Fe e Coronda, Posadas, Paraná, e o rio Uruguai em Paysandú.

O Hudson e os rios de Nova Iorque

Águas de maré à volta de Manhattan: o Hudson de ponte a ponte, o Harlem River, o East River.

O Tâmisa

De Oxford a Putney, no troço sem maré e no troço com maré. O King of the Thames é um nado não competitivo.

Grã-Bretanha e Irlanda, fora do Tâmisa

O Liffey em Dublin, o Dee em Chester, o Shannon, o Boyne e o Moy, os estuários do Dart e do Mawddach, e as provas do Tay em Dundee.

O Sena

Paris depois da reabertura de 2025, L'Île-Saint-Denis e o Yonne em Montereau, pouco antes de desaguar no Sena.

O Loire, o Cher e o Loir

Orleães no Loire, três provas no Cher e o Défi de la Salamandre no Loir.

O Reno e a sua bacia

O Reno em Colónia e em Bad Honnef, o Mosela, o Sarre, o Ill, o Limmat em Zurique, e os braços neerlandeses do Reno.

O Danúbio e os seus afluentes

De Neuburg a Budapeste e Belgrado, com o Sava, o Tisza, o Rába e o Morava Ocidental.

O Ebro e os outros rios ibéricos

Quatro provas no Ebro até ao delta, o Douro no Porto, o Minho, as descidas da Galiza e das Astúrias, e os desfiladeiros do Duratón.

Os rios do Norte

A Suécia de Vansbro, o Glomma na Noruega, e na Finlândia rios que atravessam parques nacionais e o Círculo Polar Ártico.

Volga, Ienissei e os rios russos

O Volga em Samara e em Níjni Novgorod, o Oka, o Neva, o Amur em Khabarovsk e o Ienissei para lá do Círculo Polar Ártico.

Os outros rios da América do Norte

O Tennessee, os três rios de Pittsburgh, o Chicago River, o Columbia e o Potomac; no Canadá o Saint-Maurice, o Richelieu, o Ottawa e o São Lourenço.

Yangtzé, Nilo, Meghna, Amazonas

Os grandes rios fora da Europa e das Américas: Wuhan, Assuão à volta do templo de Filas, o Bangladesh e o Peru.

Mais provas, país a país

Argentina 10

Perguntas frequentes

›Qual é a prova em rio mais longa?

Depende de como se conta. Entre as provas por etapas, a 8 Bridges desce o Hudson ao longo de 120 milhas em sete dias e a Samara 181 faz 181 km de Volga em cinco etapas. Num só nado, a mais conhecida é a Santa Fe–Coronda, na Argentina: cerca de 57 km, conforme o percurso do ano.

›Qual é a prova em rio mais antiga?

Entre as do nosso calendário com primeira edição documentada, a Liffey Swim de Dublin, desde 1920. Seguem-se a Dee Mile de Chester, desde 1922, a travessia do Yangtzé em Wuhan, desde 1934, e o Limmatschwimmen de Zurique, desde 1945.

›Nada-se mais depressa num rio?

A descer, sim, e quanto depende do rio nesse dia: na Dee Mile, sempre a favor da corrente, os tempos dos vencedores foram de 19'48" a 33'25" na mesma distância. Por isso os tempos de uma prova em rio não se comparam com os de outra, nem com os do mesmo rio noutro ano. Onde o percurso é de ida e volta, como na Three Rivers Marathon Swim, metade nada-se contra a corrente.

›A água dos rios é limpa?

Depende sobretudo da chuva. Em Paris as zonas balneares do Sena fecham em regra no dia seguinte a uma trovoada, porque os esgotos transbordam para o rio. Os organizadores analisam a água antes da prova e, se for preciso, cancelam-na: o Chicago River Swim de 2026 foi interrompido na própria manhã.

›Nas provas em rio é preciso fato isotérmico?

Depende da prova e da época. No Donauschwimmen de Neuburg, em janeiro, quase todos nadam de fato; em julho, na Vansbrosimningen, a água está normalmente entre 16 e 22 °C. O clube YeAABA de Dundee nada as suas provas de campeonato no Tay sem fato. A regra é definida pelo organizador: o site dele está em cada ficha.

›Quando se nada nos rios?

Sobretudo no verão: no nosso calendário a maior parte das provas em rio cai entre junho e setembro, e agosto é o mês com mais provas. No Paraná e na Austrália a época vai de novembro a fevereiro, e na Alemanha há quem desça o Danúbio no fim de janeiro.

Como este guia foi feito: as provas são as do calendário Omniathlon, e os números da página contam-se lá. Os factos do texto vêm dos sites dos organizadores, da federação e da imprensa local, cada um com a sua fonte.

Todas as provas numa tabela (169)